miost

A Miostatina é uma proteína presente no músculo esquelético tanto no período embrionário quanto na idade adulta. Esta proteína, também é conhecida como GDF-8 (Growth and differentiation factor 8) e é uma membro da família das supercitocinas do fator de crescimento transformador TGF-β, (Transforming growth factor-beta). Sua ação consiste em regular a proliferação dos mioblastos durante o período embrionário e ajustar o crescimento da musculatura esquelética em humanos e animais, durante e após o período embrionário.(1-2) Esta regulação se dá através de uma interação com o receptor Activina IIB pela junção da miostatina com um propeptídeo.(3-4-5). (repost do dia 22/01/2010)

A função da Miostatina é limitar o crescimento muscular, mantendo quiescentes as células satélites. Apartir do momento que o músculo sofre uma microlesão estas células satélites, migram para substituir as células lesionadas. Sem a Miostatina, o freio que atua sobre as células satélites poderia ser eliminado e as células musculares proliferariam. (6)

Nas ultimas décadas foi verificado que algumas raças de gado tinham uma mutação no gene da Miostatina, de modo que se formava uma proteína não funcional, o que demonstrou que a Miostatina inibia o crescimento da musculatura esquelética, e a principal características destes animais detentores desta mutação, era o crescimento exacerbado dos músculos, fenômeno chamado “double muscling” (4-7). Há pouco tempo foi encontrado o caso de uma criança alemã extremamente musculosa que possuía uma dose dupla de uma mutação que inativa a Miostatina, esta criança apresentava fenótipo semelhante ao “double muscling”. (2)

Foi constatado por manipulação genética feita com camundongos transgênicos, que quando ocorre uma deficiência de Miostatina ocorre um drástico e generalizado aumento de massa muscular esquelética, principalmente devido a um número maior de fibras musculares livres de gorduras, chegando a ter um aumento em volume cerca de 2 a 3 vezes mais que camundongos selvagens.(4)

Resultados recentes mostram que em nosso organismo está presente também o inibidor o da Miostatina que é conhecido como folistatina. Embora a folistatina pareça ser um potente inibidor da atividade da mesma, ela também funciona como inibidor de actinina. Actininas estão envolvidas em múltiplas funções em diversos órgãos, pelo seu bloqueio a folistatina iria afetar múltiplos tecidos, como os lisos e o cardíaco e não apenas o músculo esquelético.(8-9)

Quanto ao uso da Miostatina nos esportes, a divulgação desta proteína trouxe diversas reações em diferentes segmentos na área da saúde, os atletas amadores e profissionais notaram a possibilidade de usar os bloqueadores da mesma para extrapolar o desempenho nos exercícios e a responsividade ao treinamento atingindo o máximo da capacidade humana.

O efeito do treinamento de força sobre a expressão da Miostatina foi testada por biópsia muscular do músculo vasto lateral as quais, foram tomadas em repouso uma hora antes, uma hora depois e 48 horas após cinco sessões de 10 repetições no leg press, tanto antes como após 21 semanas de treinamento de força supervisionado, em duas situações: indivíduos não treinados (pré-treino) e indivíduos treinados (pós-treino).

No inicio dos treinamentos (indivíduos não treinados), as 3 biópsias examinadas não apresentaram nenhuma mudança no conteúdo de RNAm da Miostatina, porém, posteriormente 21 semanas de treino (indivíduos treinados), ocorreu uma diminuição no conteúdo de RNAm de Miostatina após uma hora, e esta diminuição foi ainda maior após 48 horas do término da sessão de treino, sinalizando que o treinamento teve efeito e indicando que quanto menor expressão da Miostatina, maior o crescimento muscular. (10)

Com o avanço dos conhecimentos terapêuticos a Miostatina parece ser uma representante em potencial da terapia genética, auxiliando no tratamento efetivo para diversas condições patológicas, como o HIV, sarcopenia, câncer (caquexia), distrofia muscular, entre outros. (11-12-13-14)

A literatura ainda é carente a respeito dos fatores que envolvem a Miostatina, porém os estudos existentes indicam que o treinamento contra resistência pode atenuar a mesma, e o desenvolvimento de medicamentos podem vir a auxiliar no aumento de massa magra e força em casos patológicos e ainda servir como recurso para atletas que buscam extrapolar os limites do corpo.

Informações Gerais

No ano de 1997, noticiários internacionais divulgados no mês de maio, emitiram informações sobre novas descobertas no campo da genética, ligadas ao desenvolvimento muscular. Os cientistas Se-Jin Lee, Alexandra McPherson e Ann Lawer, biólogos moleculares da Universidade John Hopkins, conseguiram criar um superrato, com até três vezes mais músculos que o normal, com costas e quadris mais largos. Com a eliminação de um só gene (que limita o crescimento muscular), foi possível a “fabricação” de verdadeiros gigantes, um pouco estranhos, porém extremamente dóceis, segundo relatos iniciais.
Os pesquisadores descobriram que a musculatura esquelética é originada por meio de uma complexa cadeia de regulação gênica chamada miogênese, na qual células dos somitos sofrem determinação e diferenciação, formando fibras musculares. Durante a miogênese, genes específicos são ativados, sendo expressos em local e tempo determinados. Dentre estes genes estão os fatores reguladores da miogênese (MFRs) da família MyoD, composta pelos genes MioD, Myf 5, miogenina e MFR4, e ainda os fatores trans-formantes de crescimento beta (TGFb), sendo a MIOSTATINA (GDF-8) um deles. A miostatina age como regulador negativo no desenvolvimento da musculatura esquelética, bloqueando a ação dos MFRs. Os animais com a aparência de musculatura dupla apresentam mutações neste gene, gerando transcritos alternativos, que favorecem o desenvolvimento da musculatura esquelética.
Todos os trabalhos publicados sobre a miostatina são relacionados à Agropecuária, Zootecnia e Veterinária, sendo que alguns versam sobre a criação de aves de corte (como por exemplo frangos), criação de peixes, criação de carneiros e (a grande maioria) sobre gado de corte.
Um trabalho recente, realizado por cientistas do Laboratório de Genética Molecular da Faculdade de Veterinária de Madrid, estudou a Hipertrofia Muscular Hereditária, que é unia síndrome encontrada nas espécies murina (ratos) e bovina. Macroscopicamente, são animaiscom um incremento generalizado da massa muscular. Em nível microscópico, o tecido muscular destes animais se caracteriza por um aumento no número, e não no volume, das fibras musculares, fenômeno conhecido como hiperplasia muscular; paralelamente a essa maior densidade muscular, ocorre um decréscimo concomitante de tecido conjuntivo e, sobretudo, de tecido gorduroso.
No gado bovino, este fenômeno foi descrito em diversas raças europeias, tanto espanholas (Asturiana dos (‘ales, Pirenaica) como belgas (Branco Azul), italianas (Piemontesa, Marchigiana) ou francesa (Charolês, Limousine).
O gene da Miostatina ou GDF-8 é constituído por três exons e dois intrans. A proteína que codifica, enquadrada na superfamília dos TGFbs, atua como REGULADOR EXTRACELULAR NEGATIVO do crescimento muscular. Foi demonstrado que as mutações que dão lugar a unia miostatina inativa são as responsáveis pelo crescimento muscular exagerado que caracteriza esta síndrome.
A miostatina atua em forma de homo-dímeros, ou seja, duas moléculas idênticas unidas entre si por unia ponte disulfuro. Os dímeros se unem ao receptor específico de membrana e desencadeiam a cascata de reações intracelulares por meio das quais se controla o desenvolvimento e crescimento muscular. Quando esta interação não se concretiza (quando, por exemplo, são produzidas miostatinas truncadas ou defeituosas), aparecem indivíduos portadores de hipertrofia muscular; tal fato é transmitido geneticamente, por mutações. Todas as mutações descritas até o momento sobre a miostatina bovina são recessivas e, por isso, só os homozigotos mutantes manifestam a hipertrofia muscular. Há também estudos demonstrando a possibilidade de alelos negativos dominantes ou com dominância parcial.
Realmente, todos estes termos são de difícil compreensão para os leitores em geral, pelo menos por enquanto, porém acredito que futuramente esta linguagem técnica e científica será facilmente compreendida por atletas e praticantes de musculação, pois fazem parte de um grupo de pessoas com sede de informação e adeptos da leitura.
Atualmente, estas pesquisas estão direcionadas ao aperfeiçoamento da agropecuária, no aprimoramento de raças de gado bovino para corte, e já há trabalhos direcionados à piscicultura (criação de peixes), todos visando o aumento da produção de carne, que é tecido muscular.
Fica aqui uma idéia, que por enquanto ainda é ficção: a manipulação genética de seres humanos buscando aumento de massa muscular, ou a síntese de substâncias farmacológicas capazes de bloquear a ação da miostatina. (Talvez – e aqui estamos viajando no terreno da especulação – já estejam sendo realizadas pesquisas voltadas para esse lado, tentando substituir os esteróides anabolizantes por outros artifícios).
FONTE: Revista da Musculação e Fitness
These gigantic cows resemble bovine body-builders



5 thoughts on “O papel da Miostatina

  1. bruno eduardo
    05/04/2013

    boa pesquisa sobre miostatina deficiente e muito bem elaborado,na minha opinião pessoal sera o futuro em termos de crescimento muscular e tamanho para quem realmente gosta da cultura física, e também já esta havendo algum suplemento no mercado que é bom sinal. Meus parabéns por este trabalho aqui apresentado para um conhecimento mais detalhado obrigado Fernando agradecido

  2. fernando
    05/11/2011

    Nossa parabens to fazendo um trabalho sobre miostatina pra conclusão de curso esse ai ja tinha pesquisado mas ta valendo

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